Entre os dias 13 e 16 de abril, Miguel Pereira sediou o XII Encontro Estadual de Comitês de Bacias Hidrográficas do Rio de Janeiro (ECOB), que reuniu representantes das nove regiões hidrográficas, gestores públicos, pesquisadores e lideranças sociais.
Com o tema “Turismo Sustentável de Base Comunitária como Instrumento de Regeneração Ambiental e Socioeconômica”, o evento se consolidou como um dos principais espaços de articulação da política de recursos hídricos no estado.
O Comitê de Bacia Hidrográfica da Baía de Guanabara (CBH-BG) teve participação expressiva, com uma comitiva de 38 membros e apresentação de projetos estruturantes da Região Hidrográfica V.
“Participamos ativamente apresentando o nosso trabalho, como o Sanear BG e o Plano de Gerenciamento de Risco da nossa região hidrográfica”, destacou a presidenta Rejany Ferreira dos Santos.
Um dos principais avanços do encontro foi a ampliação da escuta social. Pela primeira vez, lideranças de comunidades tradicionais e povos indígenas das nove regiões hidrográficas participaram de forma integrada.
Como desdobramento direto, foi criado o Fórum Permanente dessas lideranças, fortalecendo a participação nos processos decisórios sobre recursos hídricos.
“A partir desse encontro, fundamos um Fórum Permanente dessas lideranças para o debate contínuo sobre a gestão das águas”, afirmou a vice-presidenta Adriana Bocaiuva.
Integração entre ciência, gestão e território
A programação incluiu apresentação de trabalhos técnicos e científicos, além de debates sobre temas estratégicos como crise climática, economia azul e soluções baseadas na natureza.
O CBH-BG apresentou o Plano de Gerenciamento de Riscos da Região Hidrográfica V, em fase final de elaboração, com conclusão prevista para julho de 2026. “Essa experiência trouxe novas ideias e referências para fortalecer a atuação dentro do nosso comitê”, avaliou a diretora-secretária Valéria Marques.
Entre os destaques, a apresentação do Programa Sanear Baía de Guanabara (Sanear BG), que prevê a instalação de biodigestores em áreas sem acesso à rede de esgoto. A iniciativa atua diretamente na melhoria da qualidade da água, do solo e das condições de saúde da população, reforçando o papel do Comitê na implementação de soluções práticas em territórios vulneráveis.
O CBH-BG foi reconhecido com seis premiações no Selo Prosegh, evidenciando a consistência técnica e o impacto das ações desenvolvidas na região. Entre elas, iniciativas voltadas à gestão de riscos, saneamento rural e infraestrutura verde e azul.
O encontro também deixou encaminhamentos concretos. Entre eles, a proposta de criação de uma trilha de longo curso ligando Miguel Pereira a Tinguá, construída de forma colaborativa com diferentes instituições e atores locais.
“Deixamos como legado uma construção coletiva que conecta turismo, meio ambiente e território, com potencial de impacto positivo na gestão dos recursos hídricos”, destacou Adriana Bocaiuva.
Além disso, a criação do Fórum Permanente de lideranças tradicionais consolida um novo patamar de participação social na governança das águas.
O encontro deixa um indicativo claro: a gestão das águas exige integração entre conhecimento técnico, participação social e atuação territorial consistente.