Comitê da Região Hidrográfica da Baía de Guanabara e dos Sistemas Lagunares de Maricá e Jacarepaguá

Boas ideias merecem ser divulgadas: jovem holandês cria sistemas de limpeza de lixo de oceanos

Lixo plástico coletado pelo sistema de redes criado pelo holandês Boyan Slat, da The Ocean Cleanup – G1/Divulgação

A meta é audaciosa, mas, nem por isso, impossível. Um adolescente holandês de 16 anos estava mergulhando na Grécia em 2013 e encontrou, no mar, mais sacolas plásticas do que peixes. Ele, então, pensou: “Como podemos limpar isso tudo?”. Dessa ideia nasceu a iniciativa de criar barragens móveis para recolher o lixo sólido dos oceanos. Já no ano seguinte, Boyan Slat recebeu o título de “Campeão do Planeta” da ONU e, depois disso, figurou em diversas listas de jovens promissores, como a Forbes 30 Under e a revista Time. 

Hoje, aos 27 anos e CEO da ONG The Ocean Cleanup, Boyan Slat já criou dois mecanismos de recolhimento de lixo – plástico, em sua maioria – em mares e rios. Todo o material recolhido é levado para bases e encaminhado para reciclagem.  

E a meta audaciosa? Slat quer limpar 80% do lixo em mares e oceanos do planeta até 2030.  

A Câmara Técnica Costeira (CT COST), assim como todo o Comitê da Região Hidrográfica da Baía de Guanabara (CBH Baía de Guanabara), acredita que boas ideias como essa devem ser divulgadas e incentivadas. A limpeza dos nossos corpos hídricos é absolutamente necessária para a preservação do meio ambiente e também para a garantia da qualidade de vida de todos nós. 

Quer saber mais sobre os coletores? Você pode ler a reportagem abaixo, publicada pelo G1, ou acessar o link http://glo.bo/3Rk2GHy

Boyan Slat, o jovem holandês que quer limpar todos os oceanos – G1/Divulgação

Coleta no mar: como jovem holandês pretende limpar 80% do lixo dos oceanos até 2030 

Boyan Slat decidiu se dedicar à limpeza do mar aos 16 anos e atualmente comanda uma ONG com projetos em alto mar e em rios de vários lugares do mundo. Ele diz que gostaria de atuar também no Brasil. 

O holandês Boyan Slat, de 27 anos, elaborou um sistema que garante retirar 80% do plástico dos oceanos até 2030, e cerca de 90% até 2040. Entenda na reportagem como é o funcionamento da coleta e reciclagem do material recolhido. 

O principal sistema criado por ele funciona como uma espécie de barragem móvel, que é levada por dois barcos. Esse coletor de lixo vai se enchendo conforme os barcos avançam a uma velocidade determinada, e conforme o plástico vai se movendo por conta das correntes marítimas (veja na imagem abaixo). 

Quando fica cheia, essa espécie de rede é fechada, selada e levada até o barco, onde é descarregada. Depois que os navios que operam o sistema ficam cheios de plástico, o lixo é levado até um centro de reciclagem em terra firme. 

Como localizar os plásticos? 

Para encontrar os locais ideais para limpeza, a ONG utiliza modelos matemáticos que preveem em quais lugares do oceano o plástico tem mais chances de se acumular. 

Além deste sistema de coleta no mar, a ONG comandada pelo holandês também desenvolveu um equipamento movido a energia solar para retirar o lixo dos rios antes mesmo que ele chegue até o oceano. 

Chamados de “interceptores”, esses equipamentos também funcionam criando barreiras para o lixo plástico. Atualmente, a ONG já tem dez desses sistemas funcionando em rios de diferentes lugares do mundo, da Jamaica à Indonésia, passando por países como Malásia e República Dominicana. 

Sistema em ação

Boyan Slat tinha apenas 18 anos quando inventou, em 2013, o primeiro protótipo do sistema de limpeza dos mares. Logo depois, em 2014, ele recebeu um prêmio da ONU e começou a ganhar reconhecimento. Foi nessa época que ele passou a atrair investidores para o seu projeto, que atualmente incluem nomes como a banda Coldplay e a fabricante de refrigerantes The Coca-Cola Company. 

Apesar disso, as primeiras operações de limpeza começaram apenas em 2018, quando a The Ocean Cleanup testou o equipamento System 001. Depois, em 2019, uma evolução do mesmo sistema fez a primeira extração de plástico na região conhecida como a Grande Ilha de Lixo do Pacífico. Desde então, o System 001 evoluiu para System 002 – conhecido também como Jenny – para realizar algumas operações de limpeza pontuais ao longo dos anos de 2021 e 2022. 

Agora, o plano ambicioso da ONG é chegar a 10 sistemas em operação na região do Oceano Pacífico que mais concentra lixo plástico, e dobrar o número de equipamentos em funcionamento em rios a cada ano. 

“Agora, nos próximos 12 meses, vamos focar no amadurecimento das nossas soluções. São sistemas comprovados, eles funcionam, então é tudo uma questão de obter mais experiência. Queremos dobrar a quantidade de interceptores nos rios a cada ano, e também aumentar de um para dez sistemas em operação na grande mancha de lixo do Pacífico em 2 anos”, explicou Boyan. 

Seus planos de expansão incluem o Brasil porque, segundo ele, o país é um dos que tem mais rios com potencial para a remoção do lixo plástico. 

“Certamente há muito trabalho para ser feito no Brasil, e nós adoraríamos trabalhar com empresas locais e governos para tentar levar os interceptores para os rios do Brasil também”, afirmou. 

“É um bom investimento para os governos porque é muito mais caro limpar esse lixo na costa, depois que ele já afetou as praias e o turismo, do que simplesmente coletar enquanto ele ainda está nos rios”, completou. 

Redução do lixo 

A criação de Boyan é focada em meios para retirar o lixo que já está no mar, mas o próprio inventor reconhece que é necessário pensar também em estratégias para evitar que a produção de plástico se mantenha nos níveis atuais. Segundo a ONU, 89% do lixo plástico encontrado no mar vem de itens de uso único, como sacolas de plástico e embalagens. 

De acordo com os dados mais recentes do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), o montante de plástico no oceano é estimado em algo entre 75 e 199 milhões de toneladas. Esse lixo afeta mais de 800 espécies marinhas e costeiras, seja pelo risco de emaranhamento no lixo, seja por mudanças no seu habitat. 

Por conta disso, as discussões da Conferência do Oceano da ONU têm sido focadas na redução do uso de plástico e, a longo prazo, na completa substituição deste material, e não em iniciativas de limpeza pontuais como a que foi criada por Boyan. 

Uma das iniciativas é o chamado Compromisso Global da Nova Economia do Plástico, que foi reconhecido por 22 novos países durante a conferência. Entre os novos signatários do acordo há ainda governos locais, como os dos estados de São Paulo, Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe, que juntos reúnem quase a metade da população brasileira. 

Conferência do Oceano 

Responsável por cobrir mais de 70% da área do planeta, o oceano é essencial para a manutenção da vida na Terra, mas sua saúde está em perigo – este alerta é o principal foco da Conferência do Oceano da ONU, que ocorre em Portugal até esta sexta (1º). 

O evento reúne delegações de diversos países para promover o desenvolvimento de ações concretas, tanto de países como de instituições privadas, para que as metas da Agenda 2030, também conhecidas como Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), sejam atingidas. No caso do oceano, trata-se do ODS 14, Vida no Mar, que inclui compromissos como a de reduzir significativamente a poluição marinha até 2025. 

Além de fornecer alimento e trabalho, o oceano também tem um papel fundamental na regulação climática do planeta: é ele que garante que a temperatura da Terra fique em níveis adequados para a sobrevivência de diversas espécies, inclusive o homem. 

Mas, por conta da ação humana, os mares têm sofrido diversos desafios, que passam pelo aumento da poluição, causada principalmente por plásticos, e também pela elevação da acidez da água, provocada pela alta nas emissões de carbono na atmosfera. 

Esta reportagem foi produzida no âmbito da 2022 UN Ocean Conference Fellowship, organizada pela Earth Journalism Network da Internews com o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian (Reino Unido). 

Novo regimento interno do CBH Baía de Guanabara já está em vigor

Entrou em vigor no dia 15 de junho de 2022 o novo Regimento Interno do Comitê da Região Hidrográfica da Baía de Guanabara e dos Sistemas Lagunares de Maricá e Jacarepaguá. O documento foi atualizado e aprovado em reunião plenária e, além de estabelecer regras, processos e condutas para a atuação do colegiado, define a composição do CBH Baía de Guanabara e de seus seis Subcomitês. São novidades o aumento de vagas destinadas ao setor de saneamento básico no segmento de Usuários, também para órgãos federais no segmento do Poder Público e a instrumentalização do Conselho de Ética, dentre outras. 

De acordo com o coordenador da Câmara Técnica Institucional e Legal (CTIL), Halphy Rodrigues, o documento foi atualizado considerando, especialmente, a realidade imposta pela pandemia da Covid-19, que popularizou e firmou o uso de reuniões em ambientes virtuais, o que demandou novas regras de realização e conduta dos participantes. “Os encontros e ferramentas virtuais requerem mais atenção porque demandam infraestrutura complexa, novos procedimentos e abrem um leque para possíveis irregularidades”, explica.

Um ponto que muda no regimento em relação ao anterior é o reforço dado à descentralização de decisões, que conferiu maior liberdade para que os Subcomitês deliberem sobre o que é importante para a região onde atuam. “Temos Subcomitê que está na área mais adensada da região metropolitana como o Oeste; temos Subcomitê no meio da cidade do Rio de Janeiro, como é o caso do Lagoa Rodrigo Freitas; e ainda nas áreas periféricas como o de Jacarepaguá, também na cidade do Rio; temos Subcomitês que abrangem outros sete Municípios como o Leste, também o das Lagoas de Itaipu e Piratininga, em Niterói; e o do sistema lagunar de Maricá. Não tem como dar tratamento igual para realidades tão diferentes. Um mesmo regimento para todos teria que ser muito solto e simples. Então, preferimos fazer um regimento mais detalhado, mais condizente com as sub-bacias, além de descentralizado, para dar mais poder de decisão a elas. Desde que não firam o Regimento Interno, os Subcomitês têm autonomia para decidir sobre vários assuntos”, detalha Halphy.

Mudanças no Comitê

Uma das mudanças mais relevantes é a instrumentalização do Conselho de Ética, que se reunirá sempre que for demandado desde que a documentação exigida seja apresentada evidenciando a ocorrência do (s) fato (s) que o motivou. Se constituído, o Conselho terá prazo de 30 dias, prorrogáveis pelo mesmo período, para realizar as apurações necessárias e emitir Parecer imparcial a ser submetido para aprovação ou não do plenário do Comitê. 

O coordenador da CTIL explica que as ações do Conselho de Ética estarão baseadas na Resolução nº 100 do Comitê, de 14 de outubro de 2021. O documento que também é recente estabelece as regras de conduta e comportamento esperadas de todos os membros do Comitê e dos Subcomitês, especialmente considerando que, durante a pandemia, o uso de ferramentas virtuais se tornou uma obrigatoriedade pela necessidade de imposição do isolamento social e, provavelmente, permanecerão sendo usadas por causa dos benefícios, facilidades e resultados trazidos pelas mesmas. A resolução destaca que, mesmo durante debates, os membros deverão se comportar de maneira cordial e respeitar opiniões diversas. Situações que fujam do estabelecido na Resolução nº 100 serão avaliadas pelo Plenário envolvido e poderão ser levadas ao Conselho de Ética, se assim decidido pela instância máxima – Plenário do CBH Baía de Guanabara.

A composição do plenário do Comitê também foi alterada no número de vagas destinadas ao segmento dos Usuários e Poder Público. Pelo regimento anterior, nas vagas do segmento de Usuários o Setor de “abastecimento de água, coleta e tratamento de esgoto” detinha quatro vagas e agora passa a ter cinco vagas, permitindo com isso uma maior participação das novas Concessões que assumiram os Blocos leiloados da CEDAE. Em contrapartida, reduziu-se neste segmento dos Usuários uma vaga dos Setores de extração mineral e geração de energia, que agora passa a ter apenas uma vaga. Com relação à subdivisão das vagas do Poder Público, no regimento anterior os municípios detinham doze vagas, duas eram destinadas para órgãos estaduais e uma, para órgãos federais. O número de vagas destinadas aos municípios diminuiu para dez e as destinadas ao governo federal aumentaram para três. Essa divisão, no entanto, não precisará ser seguida à risca pelos Subcomitês que, agora, têm autonomia para distribuir as vagas dos Usuários e do Poder Público de acordo com sua necessidade e de forma a atender às demandas da região onde atuam. 

Todas essas mudanças já estão em vigor e afetam diretamente o processo eleitoral do Comitê, previsto para o segundo semestre deste ano. 

CBH Baía de Guanabara lança nova identidade visual

A maturidade de uma organização com conceitos sólidos, objetivos claros e um futuro planejado se reflete em sua identidade visual. E para marcar essa maturidade, o Comitê da Região Hidrográfica da Baía de Guanabara e Sistemas Lagunares de Maricá e Jacarepaguá lança sua nova identidade visual.

A nova logomarca está aplicada em seus perfis no Instagram, Youtube, Twitter e LinkedIn, e vai estampar todas as peças digitais e gráficas futuras. Além da logomarca, foram estudados novos elementos gráficos, como texturas e fontes, para completar a mudança visual.

A identidade visual de uma organização, seja qual for o mercado onde estiver inserida, é a forma como a marca se comunica por meio de imagens. Essa identidade é responsável por transmitir os valores, o posicionamento, as inspirações e a atitude da marca.

A nova logomarca do Comitê foi criada tendo como principal referência um dos habitantes mais ilustres da Baía de Guanabara: o Boto Cinza. A espécie, que é caracterizada como um verificador da qualidade da água – ou seja, quanto mais animais, maior a qualidade – está ameaçada de extinção. A defesa da preservação do Boto Cinza casa com os objetivos do CBH Baía de Guanabara, que são justamente recuperar, proteger e preservar todos os ecossistemas existentes na Região Hidrográfica da Baía de Guanabara. 

Acompanham o Boto Cinza na logomarca as texturas que representam a Mata Atlântica, vegetação predominante na região, além da água, elemento no qual está o foco principal da atuação do comitê.

Além desses elementos, um mascote foi criado para reunir todos esses conceitos. O Boto Guaná será um importante personagem na preservação dos corpos hídricos e, mais amplamente, do meio ambiente na região do CBH Baía de Guanabara. O nome foi escolhido porque se refere diretamente ao nome da baía e tem gênero neutro.

O CBH Baía de Guanabara ainda está preparando outras novidades. Siga nossos perfis nas redes sociais e se junte a nós na defesa do meio ambiente.

Juntos pelas águas,
mais fortes pela Baía!

Inscrições abertas para o processo eleitoral do CBH Baía de Guanabara

O processo eleitoral para composição da plenária do CBH Baía de Guanabara 2022-2024 está com inscrições abertas até o dia 31 de julho de 2022. Podem participar as entidades, com sede nos municípios situados, em sua totalidade ou em parte, na área de atuação do Comitê.

O processo ocorrerá seguindo as normas, procedimentos e critérios estabelecidos com base no Regimento Interno do comitê, com o intuito de renovar os membros, por meio de votação democrática permitindo ampla participação dos segmentos.

Confira o cronograma do processo eleitoral:

Inscrições: 03/07 a 31/07

Votação do Comitê: 29/09/2022

Divulgação do resultado final: 30/09/2022

Para mais informações, clique aqui.

Unir pesca artesanal e industrial e adotar práticas de aquicultura pode ser alternativa para manutenção da atividade

Discutir o futuro da profissão é fundamental para sua perenidade e, ao mesmo tempo, para preservação do meio ambiente

Pescadores no Rio de Janeiro / Divulgação

A atividade pesqueira e de criação enfrenta uma crise mundial, fomentada pelo aumento da população humana e do consumo de peixes, crustáceos e frutos do mar. O cenário é influenciado também pelas mudanças climáticas, que afetam diretamente a existência de muitas espécies. A solução pode estar na integração do conhecimento milenar da pesca artesanal a processos, conceitos e equipamentos desenvolvidos, principalmente, pela pesca industrial e a práticas de aquicultura.

O dia 29 de junho é dedicado ao pescador. A data foi escolhida porque nesse dia a Igreja Católica comemora o dia de São Pedro, o Pescador, que também é padroeiro daqueles que se dedicam à atividade. 

A pesca na região hidrográfica do CBH Baía de Guanabara

No território do Comitê da Região Hidrográfica da Baía de Guanabara, a pesca é uma das atividades mais importantes em vários dos 17 municípios que integram o colegiado, como Guapimirim, Magé, Cachoeiras de Macacu e Maricá. Os três primeiros figuram entre os 10 maiores produtores de pescado do estado do Rio de Janeiro, ocupando o 3º, o 4º e o 6º lugar, respectivamente. Em 2021, o estado produziu 3,45 mil toneladas de peixes, um crescimento de 3% em relação a 2020, segundo o Anuário da Associação Brasileira da Piscicultura (Peixe BR) de 2022.

De acordo com o 4º Boletim Prohort, da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), são 975.994 pescadores registrados no Brasil, seja como industriais ou artesanais. Desse total, 53,5% são homens e 46,5%, mulheres. No estado do Rio de Janeiro, são 11.628 pescadores registrados, sendo 82% homens e 18% mulheres.

Um dos municípios que têm a pesca como atividade econômica entre as mais importantes é Maricá. E o cargo de coordenação-geral do Subcomitê Maricá é ocupado por Paulo Cardoso da Silva, presidente da Associação Livre de Aquicultura e Pesca de Itaipuaçu. “Temos a missão de transformar o pescador em pequeno empreendedor. Ele enfrenta muitos problemas, às vezes, relacionados ao escoamento da produção e, em outras, à escassez de produto. Por isso, o ideal é unir o conhecimento do pescador com as práticas de aquicultura – criação de peixes e crustáceos, como o camarão e a lagosta – para que ele melhore seus ganhos”, defende.

No CBH Baía de Guanabara, a pesca, principalmente a artesanal, tem sido impactada pelo lançamento de esgoto e de contaminantes tanto nos rios quanto no próprio espelho d’água da baía. Esses problemas têm causado, cada vez mais, a diminuição da área de pesca e da produção pesqueira por afugentamento ou mortandade de peixes. Os crustáceos e moluscos são, da mesma forma, afetados. “A baía sofre com o despejo de chorume, óleo, lixo e esgoto in natura, que agridem os estuários, que são a fozes de rio alargadas. A maioria da criação e do pescado morre por causa dessa poluição”, explica Paulo.

Conforme o estudo “Mapeamento Participativo da Pesca Artesanal da Baía de Guanabara”, realizado por Carla da Silva Chaves (2011), apenas 12% dos cerca de 380 km² do espelho d’água da baía estavam disponíveis para a pesca naquele ano. Essa área, entretanto, não era afetada apenas pela poluição, assim como por restrições impostas por outras atividades, como tráfego e área de fundeio de embarcações, área de segurança de aeroportos, área da Marinha e a Área de Proteção Ambiental (APA) Guapimirim, que fica na região do Subcomitê Leste e é refúgio para reprodução de várias espécies aquáticas e de mangue.

“É necessário que os municípios adotem estações de tratamento para que o esgoto não chegue à Baía de Guanabara. Fazendo isso, o meio ambiente e as espécies que se desenvolvem em toda a região podem ser protegidos”, encerra.

CBH Baía de Guanabara publica 1ª edição do Boletim Digital “Em Curso”

A 1ª edição do Boletim Informativo Digital do Comitê da Região Hidrográfica da Baía de Guanabara e Sistemas Lagunares de Maricá e Jacarepaguá está no ar! A publicação foi reformulada e recebeu o nome “Em Curso”.

Acesse o Boletim Informativo Digital “Em Curso”

Se inscreva para receber o boletim “Em Curso”

O objetivo do boletim digital é divulgar as principais ações do CBH Baía de Guanabara, além de prestar contas sobre as atividades realizadas pelo Comitê e abordar temas de interesse estratégico da área de atuação do CBH-BG.”

Nesta 1ª Edição, seis reportagens retratam e atualizam assuntos importantes e que afetam, em alguma medida, os mais de 10 milhões de habitantes dos 17 municípios que integram a região hidrográfica. 

O Boletim “Em Curso” é uma publicação trimestral, totalmente digital e produzido pela Prefácio Comunicação.  

No Dia Mundial do Meio Ambiente, a pergunta latente é: ‘O Brasil está preparado para as mudanças climáticas?’

Christianne Bernardo, Presidente do Comitê da Região Hidrográfica da Baía de Guanabara

Os eventos climáticos atípicos têm sido cada vez mais frequentes no Brasil. Estamos acompanhando com tristeza a devastação que fortes chuvas causaram em Pernambuco nesses últimos dias. Estudos sobre as mudanças climáticas já revelaram que eventos extremos, como ondas de frio e de calor, chuvas em grandes volumes ou extensos períodos de estiagem, serão cada vez mais frequentes no planeta. Mas, o Brasil está preparado?
A tragédia que se abateu em Pernambuco, o ciclone extratropical Yakecan, que derrubou as temperaturas em boa parte do país e causou frio histórico no mês de maio, o desastre de Petrópolis neste ano e as enchentes que atingiram cidades de Minas Gerais e da Bahia no fim de 2021 e início de 2022 são apenas alguns exemplos recentes de eventos climáticos atípicos.
De acordo com o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) da Organização das Nações Unidas (ONU), divulgado neste ano, a “crise do clima” é causada pela ação humana, com efeitos irreversíveis, e vai vitimizar a parcela mais pobre e mais vulnerável da população mundial. O relatório, que alerta para secas e ondas de calor, incêndios, inundações, insegurança alimentar, escassez de água, aumento do nível de corpos hídricos, doenças e outros impactos, aponta as Américas Central e do Sul (onde está o Brasil) como regiões altamente expostas a esses efeitos cada vez mais catastróficos. O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, classificou o relatório como “um atlas do sofrimento humano”.
Na região hidrográfica da Baía de Guanabara, a situação não é diferente. Já enfrentamos verões menos chuvosos e com temperaturas mais elevadas, confluência de fatores que causam diversos problemas para uma população de cerca de 10 milhões de pessoas, que representa 80% da população do estado do Rio de Janeiro. 

A fim de mapear o cenário atual e identificar perspectivas futuras, o Comitê da Região Hidrográfica da Baía de Guanabara está elaborando o Plano de Recursos Hídricos da Região V (PRH-RV), que já aponta alguns indicativos preocupantes. Segundo estudos contidos no documento, até 2045, o prognóstico é de aumento da temperatura e diminuição das chuvas. Isso significa que a carga hídrica da região, que apresenta alta densidade demográfica, está em risco. 

O que vemos na Região Hidrográfica da Baía de Guanabara é um aumento da carga poluidora que chega nos rios e córregos e acabam desaguando na baía e no mar. A ocupação irregular é um dos fatores que agravam significativamente o problema e o número de imóveis construídos em áreas impróprias e sem infraestrutura básica, como rede de água e esgoto, só cresce. 

Sem uma coleta adequada de lixo e esgoto, como podemos pensar em qualquer ação ambiental? A defesa do meio ambiente é construída de forma integrada e precisa contar com instrumentos e políticas públicas. O cidadão atendido em suas necessidades básicas é um vetor de ações ambientais com muito mais condições do que o que não está inserido neste sistema mínimo de sobrevivência.

O Comitê da Região Hidrográfica da Baía de Guanabara é uma entidade que cria um ambiente de construção coletiva e discussão entre três pilares da sociedade – Poder Público, Usuários (pessoas jurídicas como concessionárias e empresas) e a Sociedade Civil – para que, como todos
“sentados à mesa”, possamos encontrar meios de garantir o atendimento da população, propor melhores usos de recursos naturais, principalmente dos recursos hídricos, e incentivar as boas práticas de recuperação e preservação do meio ambiente.

O discurso ambiental e de prevenção aos eventos climáticos atípicos não pode, e não deve, ser uma pauta descolada da realidade das pessoas. Ele deve estar nas decisões de compra e de consumo de recursos, mesmo as menores e mais corriqueiras. E é só garantindo a cidadania que a preservação ambiental será efetiva.

Como as mudanças climáticas afetam os moradores da região da Baía de Guanabara?

CBH Baía de Guanabara realiza evento para discutir impactos das mudanças climática na segurança hídrica da região

Até onde vai a resiliência do cidadão para enfrentar os efeitos que as mudanças climáticas já causam em sua rotina? A cada ano aumenta a incidência de eventos atípicos, como temporais e secas históricas, que causam tragédias semelhantes às registradas em Petrópolis (RJ), impactam o abastecimento de água e a agropecuária e ameaçam a conservação dos corpos hídricos. Não por acaso, portanto, segurança hídrica é o tema macro de sete eventos que serão realizados pelo Subcomitê Leste do Comitê da Bacia Hidrográfica da Baía de Guanabara neste ano. O segundo deles, marcado para o dia 25 de maio, às 14h, com transmissão ao vivo pelo YouTube do CBH Baía de Guanabara, terá o recorte “Impacto das mudanças climáticas e soluções com integração regional”.

Estão confirmadas as presenças do doutor em Engenharia Florestal, mestre em Manejo de Bacias e docente da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), Ricardo Valcarcel, e do coordenador do curso de Engenharia de Recursos Hídricos e do Meio Ambiente da Universidade Federal Fluminense (UFF), Márcio Cataldi.

As mudanças climáticas e a Baía de Guanabara
As mudanças climáticas já são uma realidade e, se for considerada apenas a Região Hidrográfica V, que abriga a Bacia da Baía de Guanabara e os sistemas lagunares de Maricá e Jacarepaguá, seus efeitos já afetam a vida de 10 milhões de pessoas.

“Aqui, na Região Leste, já enfrentamos os efeitos das mudanças climáticas. Podemos experimentar, indesejavelmente, período maiores de estiagens, combinadas por vezes com calor intenso, aumentando o consumo da população em período de estresse hídrico.”, comenta o coordenador-geral do Subcomitê Leste do CBH Baía de Guanabara, Jorge Muniz.

Dados internacionais
De acordo com o 6º Relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas da ONU (IPCC), divulgado em março deste ano, se nenhuma medida prática de diminuição drástica de emissão de gases causadores do efeito estufa for tomada em escala global, que limite a alta da temperatura global em 1,5ºC ao longo do século, o aumento médio da temperatura no planeta pode chegar a 3,5ºC.

Nesse cenário, cidades como o Rio de Janeiro podem enfrentar um aumento de mortes por calor de 3% até 2050 e 8% até 2090. Caso a emissão dos gases seja contida, a previsão é de que a mortalidade caia para 2%.

Além disso, o relatório também prevê um aumento de chuvas extremas e, por consequência, desastres como enchentes e deslizamentos de terra.
As mudanças do clima também vão impactar a pesca e a agricultura, segundo o IPCC. A produção de peixes pode cair 36% entre as décadas de 2050 e 2070, se comparado com o período de 2030 a 2050. À produção de crustáceos e moluscos, por sua vez, é reservado um prognóstico catastrófico, beirando a extinção – a redução deverá chegar a 97% no mesmo período.

Serviço
Evento: 2ª Roda de Conversa do SC Leste, com o tema “Impacto das mudanças climáticas e soluções com integração regional”
Data: 25/5
Horário: 14h
Inscrição: Gratuita

O Parque Chico Mendes merece a Lagoa de Marapendi e a Lagoa de Marapendi merece o Parque Chico Mendes

No aniversário de 33 anos do Parque Chico Mendes, o melhor presente para o Rio de Janeiro será a extensão da área até Marapendi
Vera Chevalier,membro do Subcomitê Lagunar de Jacarepaguá do CBH Baía de Guanabara.

O Rio de Janeiro é uma cidade internacionalmente conhecida por suas belezas naturais. As curvas do Morro da Urca, do Pão de Açúcar e do Corcovado, com o icônico Cristo Redentor, encantam pessoas de todo o mundo. E ainda mais o Jardim Botânico, incrível área verde da zona sul, onde é possível passear em meio a um dos principais centros de pesquisa botânica existentes em todo o mundo. Além de todas as praias da cidade, sem esquecer do belo mosaico de pedras portuguesas que marca a orla de Copacabana.

Por falar em beleza natural, o Subcomitê Lagunar de Jacarepaguá, integrante do Comitê da Bacia Hidrográfica da Baía de Guanabara, instituição da qual orgulhosamente faço parte, abriga em seu território o Parque Natural Municipal Chico Mendes (PCM), onde está localizada a Lagoinha das Taxas.

Também integra os limites do Subcomitê, entre outras, a Lagoa de Marapendi, que margeia o litoral entre a Barra da Tijuca e o Recreio dos Bandeirantes. Esses dois corpos hídricos, a Lagoinha e a Lagoa de Marapendi, estão ligadas pelo Canal das Taxas. Essa ligação, no entanto, pode, e deve, ir além no sentido de conceder a esse trecho proteção integral, tal qual os dois parques citados.

Já existe na Secretaria Municipal de Meio Ambiente um processo para ampliar os limites do Parque Chico Mendes pelo lado leste até a borda do Parque Marapendi. Criar esse corredor de biodiversidade ligando os dois parques aumentará a área total do PCM de 40,6 para 50,9 hectares. Essa proposta amplia o grau de proteção local e, por consequência, favorece a integração de políticas públicas direcionadas às unidades de conservação e de recursos hídricos.

À primeira vista, parece pouco os cerca de 10 hectares a mais que o Parque Chico Mendes ganhar, principalmente se considerarmos a região metropolitana da cidade. Mas falar em preservação ambiental nesta área significa muito: é também dar uma resposta à pressão que a verticalização dos imóveis do entorno e as ocupações irregulares representam, com mais concreto, mais impermeabilização do solo que, entre outras questões, significam maior fragilidade a esses preciosos fragmentos remanescentes de restinga. Esse entendimento não é contra o acolhimento de pessoas na região.

Nossa luta no CBH Baía de Guanabara é justamente que todos os moradores tenham acesso ao abastecimento de água e esgotamento sanitário com o uso adequado do solo. Estamos sintonizados pela garantia de qualidade de vida de todos os habitantes da região, seja os humanos, a fauna, a flora, os recursos hídricos. Acrescentar ao Parque Chico Mendes este corredor verde fazendo integração com o Marapendi é uma forma que enxergamos para consolidar um ecossistema já estabelecido na região oeste do Rio de Janeiro.
O Parque Chico Mendes, que comemorou 33 anos no dia 8 de maio, é morada do jacaré de papo amarelo, que encontra abrigo na Lagoinha e usa as margens para seus ninhos. Capivaras, preguiças, calangos, mais de 110 espécies terrestres ali estão reunidas. Acrescentemos a esse número 120 espécies de aves já observadas. Temos ainda registro de peixes e outros animais nas margens, além de cerca de 100 espécies de borboletas, consideradas bioindicadores de um meio ambiente saudável, que se somarão às muitas espécies também encontradas no Parque Marapendi.
A preservação ambiental é uma luta para todos. Todos nós precisamos entender que somos habitantes de uma cidade que precisa ser preservada, para continuar existindo.

Subcomitê Leste promove debate sobre segurança hídrica

Primeira edição do evento “Roda de Conversa” reunirá especialistas para discutir soluções para o aumento da disponibilidade hídrica na região leste da Baía de Guanabara

O Subcomitê Leste do Comitê de Bacia da Região Hidrográfica da Baía de Guanabara (CBH  Baía de Guanabara) realiza, no dia 27 de abril, uma “Roda de Conversa” sobre segurança hídrica. Primeiro de uma série de sete eventos que vão compartilhar conhecimentos e apontar caminhos para a manutenção do abastecimento de água da população, o encontro virtual pretende gerar subsídios para a programação de um workshop específico sobre o tema.

Risco de insegurança hídrica
O trecho leste da Região Hidrográfica da Baía de Guanabara, composto pelos municípios de Niterói, São Gonçalo, Itaboraí, Tanguá, Cachoeiras de Macacu, Rio Bonito, Magé e Maricá, concentra aproximadamente dois milhões de habitantes, dentre os quais cerca de 1,7 milhão dependem quase que exclusivamente do sistema Imunana Laranjal, que é abastecido pelas bacias do Guapiaçu e do  Macacu.

O risco de insegurança hídrica na região é debatido desde a década de 1980, quando o plano de abastecimento público da CEDAE mapeou sete sítios barráveis no Leste metropolitano. Atualmente, com o novo marco regulatório do saneamento e a concessão dos serviços de água e esgoto da CEDAE, o assunto voltou a atrair a atenção em razão da construção da barragem Guapiaçu estar prevista no caderno de encargos como uma das atribuições da concessionária Águas do Rio, a qual divide a opinião de especialistas.

Como o Subcomitê Leste tem entre suas responsabilidades promover a gestão democrática e descentralizada das águas e mediar conflitos na região em que atua, o colegiado decidiu reunir representantes do poder público, concessionárias, organizações que dependem economicamente dos recursos hídricos da região e sociedade civil para aprofundar a discussão sobre os impactos que a obra trará.

O tema
O tema desta primeira Roda de Conversa é “Vulnerabilidade e pressões ambiental, social e econômica da região leste” e visa justamente identificar os principais conflitos, riscos e pressões ambientais que estão relacionados à manutenção da quantidade e da qualidade da água na região, além de coletar informações sobre a contextualização territorial da região.
Participam do evento a supervisora local da EMATER-RJ, Delaine Arneiro; a pesquisadora do Núcleo de Estudos e Projetos Habitacionais e Urbanos (NEPHU) da Universidade Federal Fluminense (UFF), Eloísa Helena Freire, e o presidente do Conselho Fiscal da ALERJ, Mauro Osório. Para acompanhar o debate, os interessados deverão acessar o canal do CBH Baía de Guanabara no YouTube na data e horário previstos.

Serviço
Evento: Roda de Conversa “Vulnerabilidade e pressões ambiental, social e econômica na região leste”, do Subcomitê Leste do CBH Baía de Guanabara
Dia: 27/04
Horário: 14h
Inscrição: Gratuita

Informações para Contato

AGEVAP- Associação Pró-Gestão das Águas da Bacia Hidrográfica do Rio Paraíba do Sul
Rua da Quitanda, 185 - sala 402
Centro, Rio de Janeiro - RJ
CEP: 20.091-005
(21) 97374-3674
(21) 2531-0309

Emails de Contato do Comitê:

Contato Central do Comitê

Diretoria do Comitê

Secretaria Executiva

Parceiros do CBH BG